Cria de blog
começos e bagagens
Bom dia, boa tarde, boa noite, e por que não, boa madrugada?
Desde que me lembro de existir, escrevo bastante, às vezes até mais do que desenho (não à toa meu primeiro trabalho no campo artístico - tirando a moda - foram tirinhas, a junção perfeita de texto e imagem). São cadernos e cadernos, com textos que vão desde o que sonhei até a suspeita de quem soltou um pum no ônibus junto com indignações sobre polarização política. A frequência varia em diferentes épocas da minha vida, mas como sou uma pessoa seletivamente esquecida, escrever é pra mim um jeito de registrar quem eu era naquele dia, e assim identificar padrões, angústias e desejos que movem a minha vida. Já faz um tempo que venho pensado em ter um blog, registrar ideias, processos artísticos, e entender isso como um ponto de tirar os textos da gaveta e jogar no mundo pra que tudo isso entre em contato com outras pessoas que tenham interesse em ler.
Hoje, lendo o blog do meu amigo magdiel eu criei esse blog quase que num impulso de necessidade de me comunicar pra além da imagem. Só a arte não é o bastante, agora eu preciso falar com palavras também. E confesso que falar escrevendo muitas vezes se mostra muito mais efetivo pra mim do que falar falando. Meus dedos são rápidos no teclado e acompanham a velocidade dos meus (muitos) pensamentos. Minha fala não, quem me conhece sabe que eu falo devagar enquanto divago, e assim, muitas vezes me perco e tudo aquilo que tinha em mente vai junto, tornando minhas ideias apenas acessíveis à pessoas mais pacientes ou que já me conhecem muito bem.

Não me agrada tanto o formato das redes sociais de hoje, onde a gente costuma ficar rolando feed por horas sem sentir que, durante aquele tempo, dava pra ter lido várias páginas daquele livro que a gente queria tanto ler, ou limpar a casa, ou só não se atrasar. Nada contra as redes (tudo contra as redes) mas eu gosto tanto de aprofundar em assuntos e ficar viajando, que um vídeo rápido, uma música rápida, um texto rápido me deixam com vontade de mais. E esse querer mais, ali, se transforma em vício, porque ali, de fato eu nunca vou chegar nesse tipo de mais que eu quero. E aí eu preciso de mais, quero buscar mais, mas no fundo percebo que não quero mais daquele jeito. Só queria me aprofundar naquilo que já tá ali, e o texto mais longo oferece essa possibilidade, esse é um dos pontos de começar um blog.
O outro ponto, eu diria, é que eu sou cria de blog, porque tive acesso a internet discada entre a virada de 1999 pra 2000 e blogs eram simplesmente TUDO de mais interessante na internet pra mim, pois eram produzidos pelos próprios usuários. Naquela época eu era uma criança e minha vida se resumia a ir pra escola e usar a internet discada nos fins de semana ou tarde da noite durante a semana, quando era mais barato, além do fato de que eu não saía tanto de casa. E ali eu ficava horas e horas em sites de jogos de vestir e vendo blogs de outras pessoas ao redor do mundo, com rotinas, estilos, ideias e referências completamente diferentes e mais interessantes, porque eram novas pra mim.
Passados alguns anos, eu mesma comecei a ter, não blog, mas flog. Nunca foi minha vibe expor muito minha vida pessoal na internet, só um pouco. O flog era um blog de fotos, muita gente compartilhava sua vida, era um prato cheio de referências pra quem curtia estilos alternativos na época, porque não era algo tão disseminado como hoje que a internet é mais democrática - com ressalvas, eu sei; mas olha, no meu caso, eu simplesmente não tava no padrão da garota branca de cabelos lisos da galera alternativa, então me achava feia (que bom que o tempo passa e a gente compreende melhor essa estrutura racista né!?). Meu flog era de anime, dedicado a Hinata do Naruto, e por um tempo atingia mais de 1.000 visitas por dia. Eu me dedicava, aprendi a programar html e css, mexer no photoshop, criar todo o design do flog, até mudar o cursor do mouse, tudo pra ficar bonitinho do jeito que eu queria. Eu não tinha noção disso, devia ter uns 13-14 anos, e tava fazendo design no freestyle! Tudo graças aos blogs e a pirataria, que me permitia crackear o photoshop e aprender a usar em guias explicativos, criados por usuários que queriam espalhar a palavra. De música então, nem vou falar agora pra não me prolongar, mas peguei o hábito de ouvir álbuns inteiros baixando música na internet também.
Enfim, minha história com a internet é longa, por muito tempo eu vivi muito mais horas do meu dia nela do que offline, principalmente com a chegada da banda larga. Aí foram muitas fases: a dos sites de vestir e jogar, a do flog, a do Tumblr, a dos fakes do orkut, a do Omegle, a do Runescape (o único MMORPG que rodava no meu pc)… É muita história - online - pra contar. Às vezes eu até considero que hoje, minha relação de ser uma pessoa que tenta diminuir ao máximo o tempo de tela nas redes sociais vem daí. Por mais que hoje seja diferente, gente, eu já vivi um bocado online, e hoje eu só prefiro experienciar as coisas offline (eu já preferi online), só isso, mesmo que uma coisa não anule a outra, pois ambas tem seus lados e eu pondero bastante sobre eles. Tô escrevendo isso e me lembrando até da newsletter da minha amiga, Amora (junto com Nazura), que fala sobre o online. A internet que eu conheço também me trouxe muitos amigos, aprendizados e conexões legais, e isso é inegável. Mas hoje, a internet que eu frequento é hiperfocada no consumo, e isso torna cansativo quando você lembra do que era antes, ainda mais se for uma nostálgica que nem eu, que via o YouTube sem propaganda, só Leona Vingativa Assassina e muita criatividade aleatória e variada, por pura expressão.
Então é isso, a nostálgica aqui ficou afim de criar um blog, voltar pra essas raízes e desacelerar nesse uso da internet, usando ela diferente do meu atual uso. Eu sou artista, tudo que eu vou postar eu quero que esteja bonito pra mim, pra que isso chegue nos outros. Então só escrever, sinceramente, que é um campo no qual não sou “especialista”, me parece um jeito mais carinhoso comigo de só deixar fluir (porque de verdade, o texto flui da minha cabeça pros meus dedos de um jeito transcendental) e continuar me comunicando com quem tá interessado. Um dos maiores desafios da minha vida é deixar a fala sair (papo de já ter tido até conselho espiritual sobre isso). E a escrita pode me favorecer bastante nisso, então por que não?






Antigamente nós "entrávamos" na Internet. Essa separação era essencial pra entender que ela era parte da nossa vida e não o contrário.
Que bom que você resolveu criar R esse blog pra publicar seus textos, é melhor do que um livro póstumo, eu acho 😂
TE AMO MUITO LOLLY!!!