Tempo
reflexões, escolha e aprendizado
Sinto saudade de escrever no blog, sinto que tenho muito a dizer, mas em algum momento depois de começar aqui, me caiu uma ficha: eu quero tudo ao mesmo tempo e isso é inviável na prática. Tenho estudado e trabalhado muito ultimamente, e como consequência disso, acabo ficando mais cansada. Já tava cansada de ser multifunção, aí num dia fui escrever pro blog e percebi que tava exausta mentalmente e sacrificando mais descanso pra escrever. Parei e me perguntei: por que eu tô criando mais um compromisso se eu já tenho tantos? E eu não consigo me dedicar menos porque é “de graça”. Eu tava arrumando mais coisa pra me preocupar e a ficha caiu: não precisa. Nesse caso, eu escolho, e eu escolhi descansar (kkkkjkk).
Fico feliz com essa decisão, porque sei que anos atrás isso não aconteceria. Eu iria querer continuar sendo um polvo, e fazendo tudo ao mesmo tempo, mesmo que sendo levada à exaustão. Não que seja uma mudança radical, mas eu vejo como uma pequena vitória na minha existência cheia de tropeços, onde quem cai e se machuca sou eu. Dá pra tentar não se machucar, pelo menos nas coisas que somos nós que escolhemos. Às vezes eu tô tão no automático, no tempo que o mundo demanda que eu ande (na verdade, corra) que não percebo que eu posso agir de um jeito novo, desapegar disso que eu achei que só se fosse assim seria eu, ou que só tô me esforçando se ficar em destroços depois. Percebo muitas mudanças em coisas bem pequenas, mas que ajudam a viver melhor. Olhar pro cotidiano e ir temperando com o que ainda faz sentido, se perguntando sempre se faz, se não faz, por que sim, ou por que não acaba me trazendo uma fluidez existencial. É tipo provar vários sabores pra escolher o que você vai escolher pra temperar seu prato.
Há algumas semanas, começou o Laboratório Criativo que tô ministrando na Radar, o que pra mim é um grande passo como pessoa e profissional da área criativa. A minha formação artística tem uma raiz no design de moda e gráfico, academicamente. Foi recheada de oficinas, workshops, cursos livres, pintar na rua, pesquisas autônomas, conversas, viagens, exposições, feiras, editais… tanta coisa. E é intrigante perceber como eu demorei a enxergar quanto de potencial existe nisso tudo, eu me achava — de alguma forma bem síndrome da impostora — incapaz de ensinar outras pessoas num curso, justamente porque o meu saber parte de um ponto de vista empírico e transdisciplinar, de fazer e experimentar/experienciar, em vez de apenas teorizar. Não acho que faz sentido ter alguma hierarquia entre teoria e prática, ambas são importantes e complementares num pique ying yang, e meu saber empírico não elimina minha pesquisa teórica também. Pensar em ensinar o que sei do jeito que desenvolvi, ao organizar aulas, me fez organizar também o que sei e pensar em como aprendi, que caminhos foram produtivos, que coisas servem realmente pra vida.
Essa experiência tem sido muito boa e desafiadora, porque as coisas não são mais só pra eu entender como fazer, tem que pensar em como todas essas pessoas, tão diferentes entre si, e também tão potentes em suas diferenças, vão poder aproveitar desses saberes de um jeito que anime a continuar. Porque a ideia é essa: trabalhando ou não com arte, o fazer pode se tornar uma extensão da vida cotidiana, tipo um momento de auto-encontro e acolhimento. E no meu ponto de vista, o único jeito que dá ânimo continuar é sendo fiel ao que se quer, pensa e gosta. Isso libera muita identidade no trabalho artístico e é no que eu acredito pro meu. Como adoro ficar escavando e garimpando pistas de quem sou através da arte e da escrita, acho que pode ser um encontro legal pros outros também. Eu sou meio Ratattouille com “todo mundo pode cozinhar”, realmente acredito que todo mundo pode se tornar artista praticando e desenvolvendo pensamento, pesquisa e material, e é muito interessante participar dessa jornada na vida das pessoas.
Por hoje é isso, não quero me prolongar.
Até logo, quando der vontade e tempo de escrever!





Ao ser gentil com a nossa própria trajetória conseguimos ir mais longe dentro da nossa própria história. Te amo! ❤️
Tu é muito incrível, Lolly! Te admiro demais